O que sobrou? Quem eu sou depois de tudo? Eu sobrei, depois de tudo e me tornei outra coisa, algo como o vento, que está em todo lugar. Me permiti agir calculadamente, colocar todo o sentimento de lado e fazer da aventura minha vida, meu estilo de vida.

Acontece de, as vezes, eu lembrar como era sentir medo e ao mesmo tempo calor. Vesti minha armadura depois de tudo que aconteceu nos últimos 7 anos e segui vivendo como se não houvesse amanhã e sem pudor, sem medir consequências. Quanto mais emocionante, melhor.

Amigos mais antigos acreditam que esse é o meu caminho, já fiz isso antes, sou exatamente quem eles conheceram. Então não é nada que eu já não tenha feito, estranho seria eu fazer diferente. Já os novos, acham que ainda posso mudar, me conheceram num lapso de amor e alegria, apesar de tudo que acontecia. Já eu, eu não sei qual desses eu sou. 

Na maioria das vezes eu continuo buscando a inconsequência, o perigoso, o inesperado longe do lar, do conforto. Outras vezes, tudo é diferente, busco por aí o calor, na esperança de me aquecer nele.

Ainda existe uma fagulha, uns 2 graus de calor que podem me tirar dessa vida louca e fria. Ele tem nome, e o nome dele é lembrança.

Só que não acho que isso é suficiente, então seguimos no mesmo rumo.