Reflexões, Delírios & Desabafos

A brevidade da vida

Abelanito Oliveira Jr|16 de março de 2025|5 min de leitura

Na última semana, fui visitar meus pais duas vezes. Algo me dizia que precisava ir. E foram dois encontros bem diferentes: um de confronto e outro bem descontraído.

O primeiro encontro

Aconteceu quarta-feira, e meu pai, empreendedor circunstancial, queria minha opinião sobre um negócio que estava prestes a fechar. Eu, sempre cético com negócios pequenos e de administração caseira, fui contra. Taxa de juros alta, riscos fiscais (comumente não considerados por PMEs), a idade dele para assumir mais obrigações e, principalmente, a qualidade dos sócios envolvidos.

A conversa foi intensa. Os vizinhos devem ter achado que rolou uma briga. A gente é beeeeem barulhento hahaaha. O clima ficou até meio mé por um momento. Somos sempre bem sinceros um com o outro, e ele sempre pediu a opinião da família nesses casos.

Quem é meu pai

Mas antes de seguir, deixa eu contar quem é ele: Meu pai empreende há mais de 25 anos, não tem formação, é autodidata. Viveu grande parte da vida como chef de cozinha e fez história nos EUA, cozinhando para a família Jackson, o famoso mafioso John Gotti, Eddie Murphy e tantos outros.

Quando voltou para o Brasil, teve diversos pequenos negócios, seguiu cozinhando, mesmo em Betim, para famosos como Fernando & Sorocaba, Nelson da Capitinga, CPM22, MCs e vários outros. Uma habilidade incrível, uma visão empreendedora nata, mas sempre pecando no básico da gestão e teimosia para deixar alguém cuidar dessa área.

O Taleb já dizia que habilidades e conhecimentos específicos de um campo nem sempre são transferíveis para outros contextos, e esse me parece ser o caso aqui.

O segundo encontro

Por que estou contando tudo isso? Porque, primeiro, nada das discordâncias de negócio importa... e segundo, que no sábado, no segundo encontro da semana, algo me pegou de jeito.

Convidei meu pai para ver um jogo do Cruzeiro em uma área nobre do Mineirão, queria que ele vivesse uma experiência diferente da que sempre tivemos.

Logo na subida para o estádio, ele ficou ofegante. E ali caiu minha ficha. Eu já vi meu pai fazer subidas dessas de forma ágil. Mas, dessa vez, não.

Conclusão: Meu pai está envelhecendo. Mas não se engane, ele tá ótimo, só não tem a mesma vitalidade.

A partir do momento em que entramos no estádio, ele viveu uma experiência e conforto diferente do que estava acostumado. E ali me dei conta do quão pouco tenho feito para que meus pais tenham uma vida mais tranquila. O quão pouco eu faço por eles.

A reflexão

Por isso, queria trazer esse questionamento para você também...

Seu negócio está crescendo, a carreira está voando, as parcerias estão acontecendo… Mas e a família? Como está? E as pessoas que você ama?

Não quero chegar a nenhuma conclusão ou dar lições, só senti que precisava trazer essa reflexão e falar dele num espaço onde, há meses, só falo de trabalho.

Tive um dia excelente e quero repetir mais vezes. Mas e você? Quando foi a última vez que parou para viver com aqueles que ama?

No fim do dia, negócios crescem, mas o tempo com quem amamos só diminui.