Reflexões, Delírios & Desabafos

O mito da vida balanceada

Abelanito Oliveira Jr|16 de março de 2025|4 min de leitura

"A vida balanceada" é um mito que a gente compra e depois se culpa por não viver.

A gente vive numa era em que te dizem que é possível fazer tudo:

  • Comer bem
  • Ser fit
  • Trabalhar muito (mas não demais)
  • Dormir 8h por noite
  • Ter tempo pra família
  • Manter as amizades ativas
  • Cultivar hobbies
  • Cuidar da casa
  • Responder mensagens
  • Ficar offline de vez em quando
  • Ler, Meditar, ir a festas e à igreja
  • E, claro, manter a saúde mental intacta

Só que... vamos ser sinceros? Não rola. Você tem tempo pra tudo isso? Porque eu não tenho. Nunca tive.

Esses dias até pareceu que sim, com um feriado na quinta e um fim de semana mais tranquilo, consegui falar com bastante gente. Mas mesmo assim, ainda tem mais de 20 mensagens não respondidas, e são pessoas importantes, que eu gostaria de dar atenção. É um primo que eu gostaria de ter mais contato, é um amigo de 25 anos de amizade que eu falo 1x por ano, é sobre conversar com minha mãe e meu pai sempre.

Os últimos dias foram tudo, menos leves. Transição de trabalho, novos ciclos começando, entrega de projetos, problemas e brigas de sociedade. Enfim, adaptações.

E, no meio disso tudo, os planos pessoais, conversas com amigos, presença na família… FICAM PRA DEPOIS... até porque não sou só eu que preciso conciliar tempo, são eles também: com outros amigos, prioridades, problemas no trabalho, filhos, namoradas e esposas.

Não dá pra ter tudo o tempo todo

E quem tenta, ou se frustra, ou finge. Pelo menos comigo, nunca foi diferente.

No início da faculdade, não priorizei o estudo = resultados ruins. No fim, priorizei e fiquei ausente da vida social. Faltou presença pra quem tava perto.

Nos primeiros anos de trabalho, quis mostrar resultado. Horas e horas de dedicação. Porque mesmo sem trabalhar, o cérebro não apaga.

E esse ciclo se repete...

A real

Se você quer se destacar em alguma coisa — carreira, saúde, projetos, relacionamentos — você vai abrir mão de outra coisa. E não por falta de esforço, mas é simplesmente pelo fato de que se você não abrir mão de nada, nada vai ser feito da melhor forma.

E o que eu entendo, nesses poucos anos de vida (alguns dirão 18 rsrs), é que a vida não é sobre equilíbrio constante, é sobre foco temporário, sobre escolhas. E escolhas, quase sempre, vêm acompanhadas de alguma renúncia.

Então talvez a pergunta nunca tenha sido "como equilibrar tudo", mas sim: o que eu topo deixar de lado agora, pra construir o que importa?

Porque fingir que dá pra manter tudo no mesmo nível, e se culpar quando isso falha, é uma armadilha. Uma armadilha disfarçada de autocuidado!

E, sinceramente?

Equilíbrio demais, às vezes, é só um jeito polido de andar em círculos.

E o que priorizar? Vai depender do que você chama de sucesso.